Quando eu era criança, há um bom tempo atrás diga-se de passagem, eu tinha aspirações um pouco distintas da minha realidade atual, tantos sonhos e ilusões me inundavam. Se eu pudesse ver quem eu sou hoje, com os olhos de antes, não sei qual seria o meu julgamento, se frustrante ou revolucionário. Ainda pretendo chegar a essa conclusão, mas por enquanto, ainda estou na fase de descobertas.
Pra começar, eu queria ser veterinária, não me via fazendo outra coisa se não cuidando de bois, cavalos e outros animais de grande porte, resultado de uma infância na fazenda. Os cachorrinhos e gatinhos que atraiam as crianças da minha idade nunca me chamaram tanta atenção. Desde criança, eu gostava era do perigo, me aventurava andando de cavalo por aí sozinha, saia da fazenda de manhã e voltava à tardinha (quando eu não me perdia, enlouquecendo meus pais e só chegando à noite).
Não deixam de ser engraçadas as projeções que fazemos quando infantes, algo que parecia tão próximo e atingível, hoje é uma realidade distante e de fato lúdica. Os filhos geralmente são a representação dos pais quando crescem, de fato, foi isto que aconteceu. Deixei de lado aquela nostalgia da infância e passei a me focar num universo mais concreto que me cercava e decidi seguir a carreira dos meus pais, advogada, o mundo jurídico.
Pode-se dizer que não era o que o meu eu criança almejava, a vida em liberdade, no campo, tratando de animais era deveras fantasiosa, aos poucos fui visualisando isto e fui me firmando em outros horizontes. Hoje, com meus 20 e poucos anos, tenho a dizer que minhas aspirações não foram esquecidas, embora reportadas para o passado. Não acho que tenha me faltado a coragem, apenas me envolvi em uma gama de oportunidades distinta.
As oportunidades alteram o indivíduo no decorrer da sua vida, mudando rumos, reformulando histórias e fazendo os enredos mais ricos. Ressaltando apenas o fato de que as escolhas, embora difíceis, devem ser sensatas, porque o futuro que se via no passado é o presente que se faz hoje. Trilhe seu caminho, mas sem muitos desvios, afinal as oportunidades não podem ditar uma vida, feixe os olhos se quiser, siga seus extintos, atinja seus desejos e faça aquilo que o faz feliz, se não o fizer, tenha coragem de recomeçar, sem medo.
